24 Agosto 2007

Reflexões sobre 2007

Postado por Alex CUNNINGHAM

Na Reunião da ARESB (Associação dos Resinadores do Brasil) ocorrida no Hotel Karina, em Itapetininga, São Paulo, o passado 23 de Agosto; fiz uma apresentação com o objetivo de passar aos ouvintes algumas idéias referentes ao mercado dos "Pine Chemicals" (ou seja os produtos químicos derivados da resina de pino) na atualidade. Previamente na mesma Reunião Ricardo Soares fez uma apresentação titulada "A Inserção do Brasil no Mercardo Mundial de Resinas".

Conversei bastante com Ricardo nos dias anteriores da Reunião, portanto podemos considerar que ambas apresentações tem uma continuidade e linha de raciocínio.

Os temas da minha apresentação foram:

  • Situação dos Mercados Mundiais em Geral
  • O Crescimento Asiático
  • Reflexos no Mercado do Breu
  • Algumas Novidades em Estimulação Química

Situação dos Mercados Mundiais em Geral

A idéia desta introdução foi de transmitir que o crescimento do PIB na atualidade esta centrado na Ásia, os países do Leste Europeu e na África Sub-Sahara; e qual é a grandeza desse crescimento.

No slide acima podemos ler que nos países do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) 75 a 100.000.000 de pessoas/ano se incorporam ao mundo do consumo; mudando economias tradicionalmente voltadas na exportação para economias dirigidas a suprir as necessidades do consumo interno. Isto traz como resultado uma explosão nos serviços financeiros (os bancos captam este volume de pessoas facilitando o acesso ao crédito) que potencializa a compra de bens e serviços. Nesta categoria a telefonia celular e Internet se alastra a velocidade surprendente chegando a lugares remotos e mudando a forma que a gente se relaciona. Sem dúvida isto marca um ponto único e diferente na história da humanidade.

A teoria do Peak Oil, expressa que estamos no pico do consumo de petróleo devido ao aumento do consumo e falta de descobrimento de novas fontes.


O Iraque hoje é o centro de uma tensão violenta gerada por procura do petróleo; entre a Arábia Saudita, aliada tradicional dos USA e o Irã (paquerado hoje pela Rússia e a China). Hoje estão experimentando todas as possiblidades de fontes de energia alternativa; e a alternativa da energia atômica voltou com novo impulso.

Poderíamos também mencionar o último super-ciclo dos commodities impulsionado por o desenfreado apetite por matérias-primas da China (Reuters-CRB Index); as acaloradas discussões sobre o "aquecimento global" e suas consequências; a escasses de metais a médio prazo; e tantos outros sinais que nos indicam que estamos vivendo um momento muito particular da história.

O Crescimento Asiático

Antes de tratar de visualizar que significa um crescimento de aproximadamente 10% ao ano durante dez anos seguidos como vem ocorrendo na China, vamos lembrar que a China e a Índia foram durante séculos os motores industriais do mundo, representando 50% do PIB mundial até inícios do Século XIX onde foram substituídas pelo USA; como mostra o seguinte gráfico:


Mais esta reincerção Chinesa no mercado mundial é difícil de visualizar. Nós vivemos em um mundo cuja geografia não mudou desde que eramos crianças. Eu por exemplo não percebo nenhuma mudança significativa no meu bairro de Acassuso, em Buenos Aires, nos últimos quarenta anos (a não ser por um pequeno aumento no trânsito que faria hoje complicado jogar futebol na rua). Mas a última mudança que lembro do estádio Monumental de Buenos Aires foi antes de 1976, bem diferente do acontecido na cidade de Shengyang, na província de Liaoning, na China. Seu estádio teve uma vida de menos de vinte anos, desde sua construção até sua demolição.

Mão-de-obra barata (mais na minha opinião muito qualificada) na China hoje se combina com maquinário de alto custo fabricado no Japão, USA ou Korea. Esta combinação vai mudar no futuro próximo, onde a mão-de-obra barata dos outros países do Sudeste Asiático vai combinar com maquinário barato fabricado na China e Índia (Haja coração!).

Para conseguir entender melhor o mundo que vem na frente, vejamos por exemplo o que acontece hoje no transporte marítimo de containers. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento Brasileiro) tem separado uma grana importante para aumentar o calado dos principais portos para franquear o acesso de navios de 5.000 a 6.000 TEUs (esses navios são um poquitinho mais grandes que o segundo mostrado na imagem abaixo). Os navios que já estão em operação do tipo EMMA MAERSK com capacidade de 11.000 TEUs, transportam produtos da China a USA e Europa e voltam praticamente vazios ou carregados de sucata.

Mais a entrada dos navios de classe MALACCA MAX, o seja do tamanho máximo para cruzar o estreito de Malacca, vão conduzir o intercâmbio comercial entre as duas próximas potências econômicas, a China e a Índia. Tem capacidade projetada de 18.000 TEUs e entrada em serviço apontada para 2010.

Reflexos no Mercado do Breu

Vamos tratar deste tema em outro post.



Algumas Novidades em Estimulação Química

Uma de nossas respostas a esta situação global tem que ser a profisionalização e tecnificação da operação de resinagem. Na Reunião tive oportunidade de comunicar aos participantes os temas descritos em dois post anteriores: Sinalizadores (1) e Resinagem de Pinus 2007.

O primeiro passo na experimentação com produtos sinalizadores da formação de ductos resiníferos no pinus foi concluída com resultados além do esperado. Durante a safra 2007-2008 vamos fazer as primeiras aplicações no campo. Esperando na safra 2008-2009 poder oferecer este sistema de estimulação a escala comercial.

Além do trabalho com os produtos sinalizadores mencionados, estamos desenvolvendo aparelhagem necessária para poder fazer um balanço de massa na árvore de pinus durante o processo de resinagem. Algum destes equipamentos já estão desenvolvidos. Planejamos fazer os testes de campo durante a safra 2007-2008, como para na seguinte safra poder començar a coleta de dados. O objetivo final é a de poder desenvolver nos próximos anos uma técnica de resinagem onde o corte da estria e a estimulação química sejam feitas com a frequência apropriada para maximizar produção e minimizar custos.



Conclusões

Durante minha apresentação como a de Ricardo Soares, os participantes interagiram ativamente, e mostraram interesse e necessidade de tomar atitudes para enfrentar a atual situação.

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